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Palestra sobre saúde mental destaca limites, autocuidado e as cobranças do cotidiano durante o 10º EEPE da FACISB

13/08/2026

Médico psiquiatra Luiz Alberto Hetem refletiu sobre cobranças, comparações, limites, descanso e autocuidado, destacando a importância de reconhecer as próprias necessidades para preservar a saúde mental

O 10º Encontro de Ensino, Pesquisa e Extensão (EEPE) da FACISB promoveu, nesta quarta-feira (12), uma palestra dedicada a um tema cada vez mais presente na rotina de estudantes, profissionais e da sociedade em geral: a relação entre as cobranças do dia a dia, a necessidade de “dar conta de tudo” e os cuidados com a saúde mental.

 

Conduzida pelo médico psiquiatra Dr. Luiz Alberto B. Hetem, a atividade teve como tema “Entre sobreviver e dar conta de tudo e a saúde mental” e reuniu alunos do curso de Medicina da instituição, além de integrantes da comunidade. Ao longo do encontro, o especialista propôs uma reflexão sobre a forma como as pessoas lidam com as próprias expectativas, responsabilidades, frustrações e limites, destacando que o cuidado com a saúde mental também passa pela capacidade de reconhecer as próprias necessidades.

 

A palestra abordou situações comuns da vida contemporânea, como a sensação de que é preciso estar constantemente produzindo, atendendo às expectativas dos outros e superando novos desafios. Nesse contexto, o psiquiatra chamou a atenção para o impacto que a cobrança excessiva pode exercer sobre o bem-estar e para a importância de compreender que nem sempre é possível atender a todas as demandas ao mesmo tempo.

 

Entre os pontos discutidos esteve também a tendência de comparação com outras pessoas. Segundo a reflexão apresentada durante o encontro, observar constantemente a trajetória, as conquistas e os resultados de outras pessoas pode alimentar sentimentos de inadequação e frustração, principalmente quando a comparação desconsidera as circunstâncias individuais de cada trajetória.

 

Outro aspecto destacado foi a necessidade de compreender os períodos de baixa motivação. Em vez de interpretar automaticamente esses momentos como fracasso ou falta de capacidade, a proposta é aprender a reconhecer os próprios limites e entender que descanso, pausa e recuperação também fazem parte de uma rotina saudável.

 

O especialista também falou sobre a dificuldade que muitas pessoas encontram para estabelecer limites e, principalmente, para dizer “não”. A capacidade de recusar determinadas demandas, quando necessário, pode ser uma ferramenta importante para preservar o tempo, a energia e o bem-estar, evitando que a necessidade de agradar ou atender constantemente às expectativas externas resulte em sobrecarga.

 

Durante a palestra, Dr. Luiz Alberto ressaltou ainda a importância de reconhecer comportamentos negativos nas relações interpessoais e de perceber quando determinadas situações passam a comprometer o equilíbrio emocional. Para ele, cuidar da saúde mental envolve também observar os ambientes e relações nos quais cada pessoa está inserida, identificando aquilo que contribui para o bem-estar e aquilo que pode gerar desgaste.

 

A relação com o descanso também ganhou espaço na discussão. Em uma rotina marcada por compromissos acadêmicos, profissionais, familiares e pessoais, muitas vezes parar é associado à improdutividade. A reflexão proposta pelo psiquiatra, porém, aponta para a necessidade de compreender o descanso como parte do cuidado consigo mesmo — e não como algo que deva provocar culpa.

 

Cuidar de si não significa deixar de cumprir responsabilidades, mas reconhecer que ninguém consegue permanecer continuamente sob pressão sem consequências. Nesse sentido, a busca por equilíbrio passa pela construção de uma relação mais consciente com o próprio tempo, pelas escolhas possíveis e pelo reconhecimento dos próprios limites.

 

A psicoterapia também foi abordada como uma importante ferramenta de cuidado em saúde mental. Ao falar sobre o tema, Dr. Luiz Alberto destacou o potencial do acompanhamento psicoterapêutico para trabalhar diferentes dimensões da saúde mental e ressaltou a importância da disposição da própria pessoa nesse processo.

 

“A psicoterapia catalisa e trabalha em todos os âmbitos da saúde mental, desde que a pessoa queira e esteja motivada.”

 

A participação de um especialista com trajetória acadêmica e profissional dedicada à psiquiatria contribuiu para ampliar o debate proposto pelo EEPE e aproximar os estudantes de uma discussão que ultrapassa o ambiente acadêmico. Para os futuros profissionais da saúde, refletir sobre saúde mental também representa uma oportunidade de compreender melhor os desafios enfrentados pelos próprios pacientes e, ao mesmo tempo, reconhecer a importância do autocuidado durante a formação e a vida profissional.

 

A atividade reforçou, ainda, a importância de criar espaços de diálogo sobre saúde mental, autocuidado, limites, relações e qualidade de vida dentro das instituições de ensino. Em uma formação marcada por responsabilidades, exigências e constante busca por conhecimento, discutir essas questões contribui para uma visão mais ampla da formação médica e do cuidado em saúde.

 

Ao colocar em pauta a diferença entre simplesmente “sobreviver” às exigências cotidianas e construir uma vida que também contemple descanso, escolhas, limites e bem-estar, a palestra convidou os participantes a refletirem sobre a própria rotina e sobre a maneira como cada pessoa estabelece prioridades.

 

Sobre Luiz Alberto Hetem

 

Luiz Alberto B. Hetem é paulista de Ribeirão Preto. Formou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu, da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em 1985. É especialista em Psiquiatria e doutor em Saúde Mental, com área de concentração em Psicofarmacologia, pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP).

 

Realizou pós-doutorado no Serviço de Psiquiatria do Hospital Civil de Estrasburgo, na França, ampliando sua experiência acadêmica e profissional na área. Entre 1999 e 2010, foi professor da Pós-Graduação em Saúde Mental da FMRP-USP. Também integrou a direção da Associação Brasileira de Psiquiatria, onde atuou de 2003 a 2010.

 

Ao longo de sua trajetória, Hetem também se dedicou à produção e divulgação de conhecimento relacionado à saúde mental. É autor dos livros “A Grande Obra” (2016), “Pensamentos Críticos” (2019), “Entre Vírgulas: Reflexões sobre Fatos e Conceitos” (2023) e “Diga ‘Não!’: Estabeleça e Defenda Seus Limites” (2026).

 

Também participou da edição de livros técnicos sobre Transtornos de Ansiedade, Educação Continuada em Psiquiatria e da obra de divulgação “Entendendo os Transtornos Mentais”.

 

É ainda fundador e apresentador do PQU Podcast, projeto voltado à discussão e divulgação de conteúdos relacionados à psiquiatria e à saúde mental.

Crédito da foto: Divulgação

 

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